Acordo com algo incomodativo na cama. Abro lentamente os olhos e vejo o Pedro a tentar acordar-me visto já serem mais do que horas de nos prepararmos para partir. São 09:15. Após o terno pequeno almoço oferecido pelos tios e a noticia que o alojamento seria igualmente oferecido pelos mesmos, fazemo-nos a estrada.
Direcção: Sevilha.
A estrada revela-se monotona e sem nexo. Estou aborrecido e ainda por cima o meu estomago está a tentar pregar das suas. Após hora e meia de viagem chegámos aquela que foi um dia uma das principais cidades mercantis espanholas: Sevilha. Cidade que toda ela pulsa de vida e história. História essa que ainda se mantem viva nas ruas desta esplendorosa cidade, ou não seria ela quem albergou a residencia de Cristovão Colombo. Após 1 leitura de sina feita por ciganas que permanecem um dia inteiro a tentarem burlar os mais inocentes, entramos num autocarro turistico que nos mergulha no que é Sevilha e nos mostra todas as origens desta bela e misteriosa cidade. Sevilha foi inaugurada pelos fenicios. Albergou 2 exposições internacionais e foi um dia uma das mais ricas cidades do mundo. Toda a sua arquitectura demonstra a variedade das gentes que por ali passaram. Partimos em direcçao a Cádiz onde no dia seguinte se irá realizar a marcha pela paz e onde pertendemos marcar a nossa mais insignificante posição. Será essa posição tao insignificante? Porque será que um individuo não consegue marcar a diferença? Talvez devesse falar com Joana D'Arc ou Dom Afonso Henriques para saber o que eles teriam a dizer sobre isso. Talvez o mais importante não é o homem mas a ideia que está por tras desse homem. Essa sim é imortal.
Vamos pernoiter num parque de campismo perto de Cádiz. Mas o pior é encontrar esse parque, aparentemente tão recondito. Após as apresentaçoes e discutidos os preços iniciamos aquela luta que consiste em montar as tendas onde pretendemos pernoitar. Fomos jantar. Odeio Pizza hut, mas soube bem após um dia em que a alimentação consistiu basicamente em 2 sandes, bolachas e fruta. Regressamos rapidamente as tendas porque amanha há muitos mais km a fazer. Quando de repente reparamos em pequenos clarões no horizonte. "Foguetes" comento eu. Não eram foguetes mas sim relâmpagos e trovoada.
Estou neste momento dentro da minha tenda debaixo de uma intensa tempestade constituida por chuva, relâmpagos, trovões e uma fabulosa novela espanhola vinda duma roulote ao lado.
Que bela maneira de se iniciar uma viagem.
Odeio espanhois.
Vou dormir.
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